Para chegar nas trilhas, tem que passar pelas pedras, refleti-me nas poças de água, escorreguei, mas não caí...
Ou melhor, caí sim, nas areias da praia do Cachadaço, fui
admirado por um cachorro vira lata que fingia ser meu segurança apenas porque
eu o presenteava com algumas iscas de peixe.
Mas, voltando às trilhas e pedras, encontrei-me com Xico Sá,
numa dessas ruas escorregadias que em enoite de lua cheia faz o bicho tropeçar
e chegar reclamando pra todo mundo na rodoviária...
Retornou, entrou numa sala, falou sobre futebol, gols e impedimentos.
Dos gols, participaram Dr Sócrates, Nelson Rodrigues, Márcio
Xampu, Pernambuquinho, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, mulheres bonitas,
feias e machos jurubebas.
Das virtudes falou sobre o cheiro do alho, o resto de caju
na barba e comida japonesa.
Dos impedimentos, citou Renan Calheiros, José Maria Marin,
Eurico Miranda, transporte coletivo, desilusão...
Mais adiante encontrei Bonassi, que falou de Waldemar,
funcionário querido da antiga detenção.
Falou de jogo, botinada, expulsão e juras de morte, do
perdão e da sabedoria. Citou Luiz Alberto Mendes, Memórias de um Detento e
duelou com Scandurra.
O poema foi bonito.
Na praça estava Ricardo Ramos, falando da agonia da criança
que perdera seu cachorrinho e pensei comigo, se seria aquele para quem eu dava
pedaços de peixe, quando caí nas areias do Cachadaço.
Na verdade as histórias se cruzavam, aqui e ali, as trilhas
se abriram e os personagens escolheram seu caminho.
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